“Espólio” de El Greco.

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El Greco, nome artístico de Domenikos Theotokopoulos, nascido em 1541 na Grécia. Sua formação artística inicial foi na escola de Creta com importante influência da escola bizantina, onde as cores bem determinadas são fundamentais na interpretação artística, em tons dramáticos e expressivos. De lá, mudou-se para Veneza e foi aprendiz de Ticiano, momento o qual teve contato com diversos artistas. Posteriormente, mudou-se para Roma, onde conheceu Michelangelo. Da “Urbe” , em 1578, migra para Toledo em Espanha, morrendo em 1614. Na península teve seu período mais próspero artístico, produzindo grandes obras como “Alegoria da Santa Aliança”, “O Enterro do Conde de Orgaz”, “O Espólio” (ou “O Desnudamento de Jesus”).

Na catedral de Toledo, no retábulo de São Domingos (o Antigo), encontra-se a peça “Espólio”, simbolizando o início da Paixão de Cristo, onde há a deposição de suas roupas. No canto inferior esquerdo, presente está as três Marias: Madalena, a Virgem em um azul dramático e Maria Cleófata angustiadas em ver um homem perfurar a madeira onde será cravado os pés. Atrás de Cristo há um homem de chapéu com o “dedo em riste” acusatório e outro ao seu lado esquerdo, com manta verde que o amarra. O quadro forma-se em uma unidade perfeita centralizada na presença de Cristo. Esta obra, é inspirada em gravuras binzantinas (Prisão de Cristo e Beijo de Judas), mais um texto de São Boaventura e com um tema que não era comum no ocidente.

Sobre a Epístola aos Corintios

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São Clemente e a Epístola aos Corintios

São Clemente foi o terceiro sucessor de Pedro, segundo Euzébio da Cesaréia, conheceu pessoalmente São Pedro sendo ele seu colaborador nas “Epistolas aos Filipenses”. Atribui-se a ele a “Epístola aos Corintios”, gozando de alta estima no seio da Igreja por esta epístola ter uma importância fundamental na Igreja, pois por problemas naquela comunidade o é imposto a intervir confeccionando esboço de modelo eclesiológico que até hoje o Corpo de Cristo é desenhado.

A introdução chama atenção de uma comunidade inicial cristã em Corinto, onde havia uma harmonia, mas com o passar do tempo, começou a iniciar querelas pondo em risco a Igreja nascente. Há o desaprovo à discórdia e cita vária passagens e exemplos do Antigo Testamento, como também da Era Cristã. Exorta a penitência, piedade e humildade. Em sua segunda parte, particulariza as disputas entre cristãos em Corinto, exalta a Deus, criador de tudo, a harmonia entre onipotência de Deus, ressurreição e juízo exige de suas criaturas ordem e obediência. A sujeitação de disciplina e treinamento rigoroso tal qual o exército romano, como a existência de uma hierarquia, exemplificados no Antigo Testamento e de como Cristo chegou a abordar os Apóstolos e estes que por sua vez nomearam bispos e diáconos. Enfatiza o amor ocupando o lugar da discórdia, a caridade ganhar sua potencialidade em conjunto com o perdão. Aos promotores da discórdia exorta à penitência e humildade e que sejamos porta voz da boa nova, que a paz seja o fruto desta nova postura.

O quinto capítulo tem sua importância pelo testemunho dos exercícios de São Pedro em Roma como a viagem de São Paulo à Espanha e os martírios dos Apóstolos de Cristo. Já o capítulo sexto decorre com as perseguições de Nero aos cristãos, a elevação de uma vida em santidade destes cristãos, através de martírios e ultrajes devendo nos converter em exemplo.

Como anteriormente ressaltou-se, sem esta importante carta, talvez a Igreja tivesse deixado de existir, por isso ela encontra um papel importante na Igreja, sendo o primeiro documento adicionado à Bíblia após os Evangelhos como atual é o seu conceito.

Será que realmente incorporamos pelo menos parte desta Epistola em nossas vidas? Será que nossas atitudes são de união e humildade? Será que realmente estamos vendo a humanidade como nossos irmãos?

Pádua Martins

Fontes:

Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral (Denzinger – Hünermann)

Patrologia vol I (hasta el Concilio de Nicea) Prof. Johannes Quasten

Clemente de Roma – Escriba de Cristo

História Eclesiástica – Euzébio da Cesaréia

MISSA DE JULHO DA SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS

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No dia 22 de julho, sábado, do corrente ano foi celebrada a missa mensal da Sociedade Médica São Lucas pelo padre Moésio, seguido de uma recepção ao lado da igreja Nossa Senhora das Graças localizada no Hospital Geral do Exercito na avenida Desembarcador Moreira, onde regularmente os médicos presentes se confraternizam. Posteriormente, em casa de Dr. Gurgel e Laurinha, ocorreu reunião da diretoria que traçou linhas iniciais de planejamento do retiro espiritual anual desta sociedade a ser realizada no mês de outubro e do jubileu de 80 anos da SMSL a ser celebrada no mês seguinte em novembro.

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Dr. Nogueira Paes na leitura

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A presidente da SMSL, dra. Adriana Dantas

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O coral com equipe desfalcada, presentes dr. Gurgel, Dr. Pádua e Ana, Dra. Angela.

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Reunião da diretoria da SMSL realizada na residência de Dr. Gurgel e Laurinha.

HISTÓRIA DO ROSÁRIO

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Meus irmãos, ao caminhar pelas páginas desse povo santo que são os Dominicanos, deparei-me com a história do Rosário de Maria não podendo de deixar de compartilhar com esta família que é a Sociedade Médica São Lucas:

http://www.dominicanos.org.br/site457/arquivos/ca28aebd3bac681d128b42c8f1f6651e.pdf

DOMINICANOS: ORDEM PREGADORA

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A Família Dominicana tem sua origem num tempo e numa área geográfica bem longe de nós. Surgiu na Europa da Idade Média, na época das Cruzadas e de Francisco de Assis. Ela brotou a partir da experiência de vida evangélica de São Domingos de Gusmão, aproximadamente em 1170.

 

Um acontecimento novo mudou radicalmente os rumos da caminhada de Domingos. Na época ele já era membro da comunidade dos Cônegos de Osma, um grupo de sacerdotes que viviam num projeto de vida comum, dedicando-se, sobretudo à oração e ao estudo, e colaborando com o bispo nas suas tarefas. Domingos acompanhava seu bispo Diogo numa missão diplomática ao norte da Europa, quando tomou contato com os hereges do sul da França.

 

Domingos encontrou-se, naquela região, a dura realidade do abandono da fé por parte do povo cristão. Grupos de pregadores hereges chamados ‘Cátaros’, com a força da palavra e com exemplos de uma vida inspirada na letra do Evangelho, iam difundindo doutrinas contrárias ao próprio Evangelho. O povo cristão, sedento da Palavra de Deus e, em muitos casos, revoltado contra os maus exemplos de sacerdotes e monges, era facilmente influenciado por esta pregação avassaladora, e acabava por afastar-se da vida cristã e da comunhão com a Igreja e seus legítimos pastores.

 

Domingos experimentou aqui um tipo de ‘fronteira’ da fé: era o povo de Deus, que abandonava a verdadeira fé e a prática da vida cristã. Foram mais de dez anos de trabalho apostólico duro e aparentemente estéril. Uma experiência purificadora, que o levou a descobrir, nos ensinamentos do Evangelho e no exemplo da comunidade dos Apóstolos, os valores e os modos do seguimento verdadeiro de Cristo, como condição indispensável para a missão evangelizadora.

 

Era preciso voltar ao Evangelho, voltar ao modo de viver e de evangelizar da comunidade dos Apóstolos: “renovar a vida e a missão dos Apóstolos”. Este foi o ideal que se apoderou de todo o seu ser, transformando o jovem cônego de Osma, marcado para ser ‘grande’ na Igreja e na sociedade, no humilde frei (irmão) Domingos, que vivia de esmola e ia pregando o Evangelho a todos, fazendo-se próximo e amigo de todos, sobretudo dos mais pobres.

 

O exemplo verdadeiro sempre atrai seguidores. Dentro de pouco tempo ao redor de Domingos formou-se uma primeira comunidade de discípulos e colaboradores: homens e mulheres, leigos e clérigos. O primeiro núcleo, de monjas contemplativas, se estabeleceu perto da igreja de Santa Maria de Pruille. Em 1215, o bispo Fulco de Toulouse confiou a Domingos e à sua comunidade a tarefa da pregação itinerante dentro dos limites de sua diocese.

 

Neste mesmo ano de 1215, Domingos participou, junto com o bispo Fulco, no 4º Concílio de Latrão. Os Padres do Concílio reconheceram a urgência de intensificar a pregação ao povo cristão.  Para isso estabeleceram que em cada diocese se escolhessem sacerdotes de vida realmente evangélica que, ficando livres de outros compromissos pastorais, pudessem se dedicar exclusivamente à pregação. Era o que Domingos queria!

 

No final de 1216 ele obteve do próprio Papa, para a pequena comunidade de Tolosa, o reconhecimento oficial e o título de “Ordem dos Pregadores”.  Narra uma lenda antiga que um dia, rezando, Domingos na Basílica de São Pedro em Roma, apareceram-lhe São Pedro e São Paulo. Os dois Apóstolos lhe entregaram o livro do Evangelho e o cajado do peregrino e lhe disseram: “Vai e anuncia o Evangelho pelo mundo inteiro”.

 

Domingos guiou com amor de pai, por cinco anos, os primeiros passos da obra do seu coração, a nova Ordem dos Pregadores, até que a morte o levou para o encontro do Senhor: foi em Bolonha, na Itália, no dia 6 de Agosto de 1221. Muitos amigos e discípulos deixaram-nos dele o testemunho de um homem que conformou plenamente a sua vida ao Evangelho, seguindo os passos de Cristo e dedicando-se totalmente ao serviço dos irmãos.

 

“Domingos, Domingos de Gusmão, Domingos do mundo todo, de ti nos ficou a liberdade de recriar em cada tempo e lugar o sempre-novo da verdade, da justiça, do amor. E ficaste tu, companheiro de viagem e de sonhos!”

 

A semente lançada por Domingos brotou e cresceu com rapidez surpreendente, transformando-se logo numa grande árvore com diversas ramificações: a Família Dominicana.

 

Ela é hoje uma grande fraternidade espiritual, composta de religiosos padres e irmãos cooperadores, monjas de vida contemplativa, irmãs de vida apostólica, padres diocesanos, leigos e leigas. Distinguem-se nela cinco ramos fundamentais, conforme os diversos modos de encarnar o carisma de São Domingos:

 

Os Frades:  São os religiosos, ordenados e não ordenados, que vivem conforme o projeto de vida religiosa, radicalmente inovadora, suscitado por Domingos.  Os monges vivem na ‘fuga do mundo’; os dominicanos na inserção mais plena no mundo, sobretudo nos centros urbanos, no compromisso com a realidade. O claustro dos monges têm uma única abertura, para o céu; o claustro dos dominicanos têm, sim, a abertura para o céu, mas têm também a porta sempre aberta para o mundo, para acolher e para andar. Os monges fazem voto de estabilidade no mosteiro; os dominicanos praticam a itinerância mais radical, para anunciar o Evangelho de Cristo aos irmãos dos quatro cantos do mundo. Hoje os frades da Ordem estão presentes em mais de oitenta países, nos cinco continentes. No Brasil atuam em comunidades situadas, especialmente, na parte central do país.

 

As monjas contemplativas:  fundadas pelo próprio São Domingos, elas vivem no silêncio do mosteiro, mas participam plenamente da missão apostólica da Ordem, colocando-se como sinais e testemunhas vivas dos valores evangélicos. A característica própria dos mosteiros das contemplativas dominicanas é de estar inseridos, junto com os conventos dos frades, nos centros urbanos, como sinal profético do absoluto de Deus no meio dos homens, como mestras de oração e da experiência de Deus, como intercessoras para a humanidade e para a missão apostólica da Igreja e de toda a Família Dominicana. É significativo lembrar que, desde o começo, elas foram consideradas como parte integrante da Ordem dos Pregadores, sendo conhecidas e reconhecidas como as “monjas pregadoras”! No Brasil existe atualmente uma comunidade de monjas dominicanas: o Mosteiro de Cristo Rei, em São Roque, no interior do Estado de São Paulo.

 

As Fraternidades Leigas Dominicanas:  são homens e mulheres, que vivem no mundo, vivenciando a espiritualidade e a vida apostólica da Ordem. É a forma mais antiga de pertença de leigos e leigas à vida dominicana. Sua origem remonta aos tempos de São Domingos e dos primeiros frades: o estilo de vida evangélica e a fecundidade apostólica das comunidades dos frades e monjas dominicanas que iam se multiplicando em toda a Europa, despertava em muitos leigos e leigas o desejo de participarem, na medida do possível, da espiritualidade e do carisma apostólico destes novos frades e monjas. Este desejo se concretizou na organização de grupos ou “confrarias”, tendo uma regra de vida que ajudava a vivenciar, nas condições próprias do leigo, a vida dominicana com seus valores de espiritualidade evangélica e com seu compromisso apostólico no mundo. Ao longo dos séculos verdadeiras legiões de leigos e leigas realizaram sua vocação cristã seguindo os passos de Domingos, no caminho da Fraternidade dominicana. Lembramos entre eles: Catarina de Sena, a jovem analfabeta italiana proclamada, pela sua doutrina espiritual, “Doutora da Igreja”. Rosa de Lima, jovem leiga do Peru, primeira santa canonizada do novo Mundo.  Giorgio La Pira, o prefeito santo da cidade de Florença, na Itália. O jovem Piergiorgio Frassati, morto aos 24 anos por uma doença contraída nas visitas aos pobres dos cortiços, da cidade de Turim.  No Brasil existem atualmente 18 Fraternidades já constituídas e várias em formação.

 

Outros grupos de Leigos Dominicanos: Além desta forma mais tradicional de vida dominicana “leiga” representada pelas Fraternidades, existem várias outras articulações e grupos de leigos que estão em comunhão com a Ordem e são parte da grande família espiritual de São Domingos. Eles têm níveis e formas diferentes de pertença na Ordem, mas todos se reconhecem na vivência de sua espiritualidade e na participação ao seu carisma apostólico. Também no Brasil temos hoje vários tipos e modos desta pertença ‘leiga’.  Lembramos, por exemplo, o “Movimento Juvenil Dominicano”, que agrega ao redor do ideal dominicano adolescentes e jovens de várias regiões do país, o “Grupo Solidários de São Domingos”, atuante na defesa dos direitos humanos, as “Associações de Pais e Professores” ligados aos Colégios das Irmãs Dominicanas. Muitos leigos e leigas participam do Comissão dominicana de Justiça e Paz, junto com frades e irmãs do Brasil.  Muitos leigos dominicanos são ativos nas nossas paróquias e em várias pastorais de Igreja. Os púlpitos de todos estes leigos e leigas “pregadores” e “pregadoras”, não estão propriamente nas igrejas, mas fora das igrejas: na família, no mundo do trabalho, nas escolas, nos hospitais, na política, na economia, no serviço social, enfim, no “mundo”, na mais plena inserção e no compromisso com a realidade.  Eles foram entre os primeiros discípulos de Domingos, os primeiros colaboradores de sua pregação. Eles estão na vanguarda de uma Ordem que Domingos quis presente e atuante no ‘mundo’ e nas ‘fronteiras’.

 

As Irmãs Dominicanas: temos hoje um número muito grande de Congregações religiosas femininas dominicanas. Elas são o ramo mais recente da grande Família de São Domingos, sendo que estas Congregações foram fundadas, na grande maioria, a partir de 1800, como uma porção significativa daquele verdadeiro ‘milagre’ do florescimento dos ‘carismas da caridade’, numa época em que a sociedade moderna perseguia os religiosos e os expulsava dos conventos, alegando que eles eram “socialmente inúteis”. A Família Dominicana conta atualmente com mais de 150 Congregações femininas de vida apostólica, somando mais de trinta mil irmãs, presentes e atuantes nos cinco continentes. Elas vivem como mulheres consagradas ao Senhor, dedicando-se à educação, ao ensino, ao acompanhamento pastoral de comunidades e às mais variadas formas do serviço social em prol dos empobrecidos e marginalizados. As irmãs dominicanas testemunham hoje, no mundo inteiro, a solidariedade de Cristo e de Domingos para com os últimos e os excluídos. No Brasil, estão presentes atualmente 15 Congregações de Irmãs dominicanas. Suas casas e suas obras sociais se espalham do Sul ao Norte em quase todas as regiões do País.

 

A Família Dominicana, a grande família espiritual que oito séculos atrás brotou do coração de Domingos, continua viva e atuante na Igreja e no mundo de hoje.  Ela carrega consigo toda a riqueza do seu passado e a sempre renovada liberdade de recriar o novo da verdade e da justiça, a serviço da humanidade a caminho, neste começo do terceiro milênio.

(Material retirado do “site” dos frades dominicanos-br.

ÉDITO DE MILÃO 313DC

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 DE MILÃO (313)
Eu, Constantino Augusto, e eu também, Licíno Augusto, reunidos felizmente em Milão para tratar de todos os problemas que se relacionam com a segurança e o bem público, cremos ser o nosso dever tratar junto com outros assuntos, que merecem a nossa atenção para o bem da maioria, tratar também daqueles assuntos nos quais se funda o respeito à divindade, a fim de conceder tanto aos cristãos quanto a todos os demais a faculdade de seguirem livremente a religião que cada um desejar, de maneira que toda a classe de divindade que habita a morada celeste seja propícia a nós e a todos os que estão sob a nossa autoridade. Assim temos tomado esta saudável e retíssima determinação de que a ninguém seja negada a faculdade de seguir livremente a religião que tenha escolhido para o seu espírito, seja a cristã ou qualquer outra que achar mais conveniente; a fim de que a suprema divindade a cuja religião prestamos esta livre homenagem possa nos conceder o seu favor e benevolência. Por isso é conveniente que vossa excelência saiba que temos resolvido anular completamente as disposições que lhe foram enviadas anteriormente com relação ao nome dos cristãos,
por encontrá-las hostis e pouco apropriadas à nossa Clemência, e temos resolvido permitir a todos os que queiram observar a religião cristã, de agora em diante, que o façam livremente sem ter que sofrer nenhuma inquietação ou moléstia. Assim, pois, acreditamos ser o nosso dever dar a conhecer com clareza estas decisões à vossa solicitude, para que saiba que temos concedido aos cristãos a plena e livre facilidade de praticar sua religião … Levou-nos a agir assim o desejo de não aparecer como responsáveis por diminuir em nada qualquer religião ou culto … E além disso, no que diz respeito aos cristãos, decidimos que lhes sejam devolvidos os locais onde anteriormente se reuniam, sejam eles propriedade do nosso fisco, ou tenham sido comprados por particulares, e que os cristãos não tenham de pagar por eles nenhuma classe de indenização … E como consta que os cristãos possuíam não só locais de reunião habitual, mas também outros pertencentes à sua comunidade … ordenamos que lhes sejam devolvidos sem nenhum tipo de equívoco nem de oposição … Em todo o dito anteriormente (vossa excelência) deverá prestar o apoio mais eficiente à comunidade dos cristãos, para que as nossas ordens sejam cumpridas o mais depressa possível e para que também neste assunto a nossa Clemência vele pela tranquilidade pública. Desta maneira, como já temos dito anteriormente, o favor divino que em tantas e tão importantes ocasiões nos tem sido propício, continuará ao nosso lado constantemente, para o êxito das nossas empresas e para a prosperidade do bem público …
Lactancio. (De niortibus persecutorum) Sobre la m verte de los perseguidores. Introd., trad. espanhola e notas de R. Teja. Madrid: Gredos, 1982. XLVIII, p.2-3.” (from “História da Idade Média: textos e testemunhas” by Maria Guadalupe Pedrero-Sánchez

Sexta-feira da Paixão “Improperium” Pe. Paulo Ricardo

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Hoje o tema será a Sexta-feira da Paixão. Nesse dia em que não se celebra missa, tem-se a adoração à Santa Cruz. Tradicionalmente, durante a adoração cantam-se os chamados “impropérios”. A palavra “improperia” quer dizer repreensões, reprimendas. É Jesus quem exorta os homens pela falta de amor.

A parte mais importante é o chamado Trisagion, ou seja, a tripla invocação de Deus: “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal”. Esta antífona é por muitos conhecida, pois faz parte do terço da Divina Misericórdia, de Santa Faustina Kowalska, porém, ela é muito mais antiga. Provavelmente remonta à antiguidade da Igreja, quiçá, à Era Apostólica.

O Trisagion, interessante frisar, está ligado à Paixão de Cristo desde o início. Existe uma tradição da Igreja Copta (da Etiópia), que afirma ter sido este hino composto por Nicodemos, o qual juntamente com José de Arimateia, enterrou o Senhor (conf. Jo 19,39) e, assim, nesse momento, olhando para o corpo de Jesus Cristo, ele teria dito “Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende piedade de nós”.

Esta tripla invocação é a resposta do povo aos impropérios, mas o que eles são? Os “improperium” estão presentes na liturgia desde o nono século e consistem no mistério do povo judeu que rejeitou o Cristo. A Igreja, com isso, não está condenando o povo judeu, pelo contrário, ela diz que a humanidade toda rejeitou Jesus. E, então, Ele pergunta: “Popule meus, quid feci tibi? Responde mihi.” (Povo meu, que te fiz Eu, em que te contristei? Responda-me). É o Cristo que reclama. “Eu te dei o amor e recebi de volta o desamor”, este é o mistério que se celebra na Sexta-feira Santa.

Da mesma forma que os impropérios são uma anamnese do caminho percorrido pelo povo eleito, toda a humanidade é convidada a fazer também a anamnese da própria vida, ou seja, a fazer a recordação da própria existência, vendo o quanto Deus cuidou de cada um desde a mais tenra idade.

O conteúdo dos “impropérios” leva à reflexão. Propicia o vislumbre da própria ingratidão para com Deus. Se o católico tem como centro da vida a ação de graças. A Sexta-feira Santa é o dia em que não se celebra a Eucaristia – ação de graças, por excelência – porque é o dia da ingratidão. Deus mostra de maneira inequívoca, pelas reprimendas, como a humanidade é ingrata. E, o que se pode responder diante disso? Pode-se confessar a fé, pode-se reconhecer que Deus é Santo, Deus é Forte, Deus é Imortal, enquanto cada um nada mais é do que pecador, fraco e mortal.

Lamentações do Senhor

Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi. Quia eduxi te de terra Aegypti: parasti Crucem Salvatori tuo.

Agios o Theos.
Sanctus Deus.
Agios ischyros.
Sanctus fortis.
Agios athanatos eleison imas.
Sanctus immortalis, miserere nobis.

Quia eduxi te per desertum quadraginta annis: et manna cibavi te, et introduxi te in terram satis bonam: parasti crucem Salvatori tuo.

Quid ultra debui facere tibi, et non feci? Ego quidem plantavi te vineam meam speciosissimam: et tu facta es mihi nimis amara; aceto namque sitim meam potasti, et lancea perforasti latus Salvatori tuo.

Ego propter te flagellavi Aegyptum cum primogenitis suis; et tu me flagellatum tradidisti. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego eduxi te de Aegypto, demerso Pharaone in mare rubrum; et tu me tradidìsti principibus Sacerdotum. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego ante te aperui mare, et tu aperuisti lancea latus meum. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego ante te praeivi in columna nubis: et tu me duxisti ad praetorium Pilati. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego te pavi manna per desertum; et tu me caecidisti alapis, et flagellis. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego te potavi aqua salutis de petra; et tu me potasti felle, et aceto. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego propter te Chananaeorum Reges percussi: et tu percussisti arundine caput meum. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego dedi tibi sceptrum regale; et tu dedisti capiti med spineam coronam. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

Ego te exaltavi magna virtute; et tu me suspendisti in patibulo Crucis. Popule meus, quid feci tibi? aut in quo constristavi te? responde mihi.

1. Povo meu, que te fiz eu?
Dize em que te contristei!
Que mais podia ter feito,
em que foi que eu te faltei?

Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
Tende piedade de nós!

2. Eu te fiz sair do Egito,
Com maná te alimentei.
Preparei-te bela terra:
Tu, a cruz para o teu Rei!

3. Bela vinha eu te plantara,
Tu plantaste a lança em mim;
Aguas doces eu te dava,
Foste amargo até o fim!

4. Flagelei por ti o Egito,
Primogênitos matei;
Tu, porém, me flagelaste,
Entregaste o próprio Rei!

5. Eu te fiz sair do Egito,
afoguei o Faraó;
aos teus sumos sacerdotes
entregaste-me sem dó!

6. Eu te abri o mar Vermelho,
tu me abriste o coração;
a Pilatos me levaste,
eu levei-te pela mão.

7. Pus maná no teu deserto
teu ódio me flagelou;
fiz da pedra correr água,
o teu fel me saturou!

8. Cananeus por ti batera,
bateu-me uma cana à toa;
dei-te cetro e realeza,
tu, de espinhos a coroa!

9. Só na cruz tu me exaltaste,
quando em tudo te exaltei;
por que à morte me entregaste?
Em que foi que eu te faltei?

Destina-se a evangelização de médicos, familiares e estudantes de medicina

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